Schaia Akkerman – Lenda viva

Shaia Akkermann

Quem contar a história da acústica no Brasil, com certeza vai reservar um capítulo especial para o engenheiro Schaia Akkerman. Sócio da Acústica Engenharia, ele desenvolve – há mais de 50 anos – projetos que visam o isolamento e o condicionamento interno dos ambientes. Por conta de seu dinamismo e excelência, foi homenageado, no mês passado, pelo Vidro Som 2009 – 1º Seminário de Soluções Acústicas em Vidro, no MAM, em São Paulo. Logo depois, concedeu entrevista ao Vibranews, na qual falou do início de sua carreira, a evolução dos materiais e das normas técnicas. Crítico, disse também que o tratamento acústico ainda não recebeu a devida atenção por parte das construtoras.

P – Quando a acústica começou a se desenvolver no Brasil?
R – Foi na década de 50, quando algumas empresas que já fabricavam materiais acústicos resolveram importar alguns produtos, principalmente dos Estados Unidos. Isso motivou alguns arquitetos da época, que passaram a se interessar e estudar esses materiais.

P – Foi nesse período que a acústica entrou na sua vida?
R – Eu me formei no curso de Engenharia na Escola Politécnica da USP (turma de 1952). Iniciei a carreira em uma indústria da construção civil e depois fui convidado para trabalhar numa empresa que atuava na área acústica. Passei a estudar mais, aprofundar e gostar do assunto. Depois, passei a atuar como consultor autônomo. Com aumento da demanda, decidi abrir a própria empresa

P – Quais foram os projetos acústicos mais significativos?
R – Foram muitos projetos, mas posso apontar o auditório do Supremo Tribunal Federal, em Brasília; a mansão do banqueiro José Safra, no Morumbi; e a própria sede do Banco Safra, na avenida Paulista. Fizemos também diversos projetos para a General Motors, em São Caetano do Sul; para a Ford, em Camaçari (ES). Posso citar ainda o auditório do Teatro Abril Paramount na Brigadeiro Luís Antonio; Hospital Samaritano (SP), além de vários trabalhos para o Grupo Pão de Açúcar e empreendimentos da Construtora Adolpho Lindemberg.

P – Hoje é mais fácil trabalhar com a acústica?
R – Sem dúvida, houve uma sensível evolução na qualidade dos materiais. São materiais plásticos, lãs minerais, lã de vidro. Os vidros aplicados em fachadas ganharam película para se obter maior isolação acústica. Agora, a aplicação depende de cada caso. Se você tem um problema acústico em uma indústria, que incomoda a vizinhança, você resolve de um jeito; se o problema se encontra em uma residência, você resolve de outro jeito.

P –Mesmo assim, a acústica não tem a devida atenção das construtoras. Por que?
R – Não existe conscientização das construtoras quanto a poluição sonora. Afinal, uma boa solução acústica custa dinheiro. Então, algumas preferem não investir porque o imóvel vai ficar mais caro. Mas, de outro lado, existem aquelas que têm outra filosofia. Para um público de maior poder aquisitivo, oferecem imóvel planejado, acusticamente resolvido.

P – No ano passado, o senhor lançou, com seus sócios, o livro “Acústica, Questão Ambiental”.
R – O livro apresenta dez projetos da nossa empresa e demonstra soluções planejadas em edificações de diferentes usos para problemas ambientais diversos, relacionados com o conforto, sigilo e privacidade de seus usuários.

P – Cite um exemplo de um bom e de um mal projeto acústico?
R – Um bom exemplo é o prédio comercial do Banco Safra, na avenida Paulista. Quanto aos maus projetos, prefiro falar de maneira genérica. Nesse caso, cito bares e restaurantes da cidade de São Paulo. Conheço alguns que o barulho é insuportável. Mesmo assim, os proprietários só se preocupam com o tratamento acústico quando são intimados ou multados pelos órgãos fiscalizadores.

P – Quais os efeitos da poluição sonora na população?
R – Se ultrapassar certos valores, o ruído pode provocar a surdez. Antes, stress, aumento da pressão, distúrbios do sono, por exemplo.É uma influência a longo prazo. A pessoa não precisa ser hospitalizada. Em danceterias, o nível do ruído é violentamente alto, chega a 110 decibéis. Os jovens ficam expostos. Conheço alguns que hoje usam aparelhos auditivos.

Fonte: http://www.vibranews.com.br/index.php?id=22
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