Edificação existente ganha volumes e sobreposição de planos

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Aflalo & Gasperini Arquitetos: Centro de convenções, São Paulo-SP

Desenhado pelo escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos – comandado por Gian Carlo Gasperini, Roberto Aflalo Filho e Luiz Felipe Aflalo Herman -, o centro de convenções é o mais novo edifício do campus do Senac em São Paulo. A edificação preexistente possuía grandes vãos e generoso pé-direito, fatores que levaram a equipe a escolhê-la para abrigar o programa pretendido.
As adaptações arquitetônicas necessárias à mudança de uso do ambiente fabril interpretaram o sítio original: “Utilizamos a mesma lógica de organização espacial preexistente para transformar a fábrica de eletrodomésticos em fábrica de cultura”, relata Aflalo Filho.
As salas de aulas , que cor- respondem à produção, estão nos galpões centrais; os espaços auxiliares – biblioteca, reitoria e gastronomia – situam-se nas construções periféricas; e a parte atípica do programa – centro de convenções e área esportiva (esta atualmente em obras) – foi implantada na edificação que já possuía características diferentes.
Além da generosa modulação de 15 x 25 metros, outro elemento que diferenciava o prédio do restante do parque industrial era o fechamento com grandes painéis pré-moldados de concreto – chamados duplo T, por causa de sua seção -, em placas verticais do piso ao teto.
Bastante comum em galpões industriais, esse fechamento foi substituído por painéis também pré-moldados, mas horizontais e coloridos . Para romper com a idéia de volume único (que ao todo possui cerca de 150 x 50 metros), foram criados planos e acoplados pequenos blocos auxiliares – cada qual assinalado com uma cor de fechamento. Dessa forma, o paralelepípedo do velho galpão industrial ganhou caráter qualificador do conjunto.
O pé-direito possibilitou que fosse implantado um novo pavimento , estruturado com peças metálicas, cuja modulação, de 7,5 x 7,5 metros, relaciona-se com a estrutura existente de concreto.
Os anexos do centro de convenções são ocupados por espaços de apoio, por parte da circulação vertical e pelo pórtico de entrada. Este, com estrutura nova , possui caixilho recuado que, em continuidade com os caixilhos da lateral, cria um fechamento de vidro em quina, destacado da estrutura. Assim, é possível observar as relações de ritmo , volumetria e materialidade entre a estrutura antiga (de concreto e com seção quadrada) e a nova (metálica, encapada por revestimento de alumínio e com seção redonda).
A quina de vidro abre-se na direção da entrada do campus, aumentando a relação entre esse edifício e os demais. A área envidraçada , nos dois pisos, contrasta com o fechamento em placas pré-moldadas, com três acabamentos diferentes . O mais escuro, e menos utilizado, forma uma espécie de marquise, que cobre o pórtico de entrada e a caixilharia da lateral.
A idéia inicial dos arquitetos era ocupar essa porção, cujo volume avança em relação à projeção do prédio, como uma varanda, o que não ocorreu porque na lateral a marquise faz as vezes de pérgola. Esse mesmo tipo de painel escuro foi utilizado no fechamento do novo bloco de um pavimento, à direita da entrada, ocupado por sala de máquinas.
O segundo tom dos painéis de fechamento , mais claro, configura um volume que envolve o anterior e, por sua vez, é envolvido pelo terceiro e último tipo de painel, em tom ocre.
Internamente, essa lógica de planos e volumes sobrepostos também está presente. No entanto, em vez de painéis de concreto, grande parte dos interiores é marcada por placas de madeira, com ritmo semelhante . Em contraste com elas, planos escuros – dentro do auditório – e brancos, nos demais setores, marcam as seqüências de portas ou servem como pano de fundo da escada do lobby.
Um dos destaques desse espaço é o forro ondulado, que dá novas feições aos sheds existentes. Para a realização do forro, foi necessária uma estrutura complementar.
O espaço comporta programa típico de um centro de convenções: auditório de 500 lugares, duas salas maiores que podem ser unidas e diversas salas de reuniões. Ele pode ser utilizado pelo Senac ou para eventos de terceiros, flexibilidade que diferencia o campus dos diversos empreendimentos estudantis criados nos últimos anos.

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Fonte: ArcoWeb
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